Insanidade digital

 

Eu sou da geração online, com dez ou onze anos criei meu primeiro e-mail e minha conta no Orkut, o que, por incrível que pareça, pra muitas crianças e adolescente de hoje já é algo pré histórico. Mas mesmo com uma tecnologia muito menos avançada, eu cresci conectada. Na verdade, hoje dou graças a Deus por não ter nascido com um ipad na mão. Hoje vejo crianças em restaurantes se distraindo com iphones dos pais ao invés de desenhar com giz de cera e penso como as coisas chegaram a esse ponto. Eu já andei muito de bicicleta, pulei muita amarelinha e fiz muita cabaninha dentro de casa em dias de chuva. Já cacei girino no quintal da casa de praia e apelava até pra teatrinhos quando o tempo não era favorável. Não estou dizendo que as crianças de hoje em dia não façam esse tipo de coisa, mas a opção “eletrônica” acaba inserindo-as em uma realidade muito mais cômoda, individualista e de certa forma irreal.

Ontem, em plena ceia de natal me deparei com três ou quatro familiares mexendo no celular, isso em uma das datas mais importantes do ano e em um dos únicos momentos que temos para estarmos juntos. As vezes me pego pensando como seria minha vida se nada disso existisse, se tivéssemos que nos ver ou ao menos nos ligar para estar em contato, se para conhecer alguém, tivéssemos que conversar e se olhar nos olhos e se para trair alguém fossem necessárias mais que meia dúzia de likes trocados e uma conversa por DM.

É absurdo como criou-se uma vida na rede que acredita-se ser real, mas, sinceramente? Nada daquilo condiz a realidade, e sim, aqui escreve logo a pessoa que trabalha com a internet. Mas desculpa, eu não posso mentir, a vida mesmo esta passando pelos nossos olhos. É por isso que eu tenho tentado me desconectar um pouco, ligar mais pras pessoas, aproveitar mais o pôr do sol ao invés de tentar tirar uma foto da paisagem. Eu não tenho notificações na maioria dos aplicativos e tento dedicar só algum tempo em horários específicos do meu dia pra não deixar a vida passar enquanto fico vendo a vida alheia na internet.

Esse vídeo mexe com verdades que a maioria das pessoas hoje em dia não gosta de ouvir, então, tente ouvir até o final e pare de se auto-sabotar. Pra mim, a vida online é a maior fuga de todos os tempos. 

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“Você sabia que uma pessoa normal passa mais ou menos quatro anos olhando para a tela de seu celular?”

“Essas telas touch nos fazem perder o contato. Mas não se admira em um mundo cheio de Imacs, Ipads, Iphones, tantos “eu’s”, selfies, sem “nós” o suficiente, nos deixando mais egoístas e separados do que nunca, porque enquanto ela promete nos conectar, a conexão entre nós não melhorou.”

“Deveria reclassificar o Facebook para o que ele realmente é, uma rede ANTI social”

“A pesar de ter uma lista enorme de amigos (…) nossas amizades estão mais quebradas do que as próprias telas de nosso telefones”

“Medimos nosso valor por número de followers e likes, ignorando aqueles que realmente gostam de nós”

Como ele mesmo diz, eu imagino um mundo onde a gente sorri com pouca bateria, porque isso não significa que estaremos uma barrinha mais perto da humanidade.

VOCÊ TEM ESCOLHA 

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4 comentários sobre “Insanidade digital

  1. Incrível seu post, é tudo muito verdade.
    Eu acho que nosso maior problema hoje é saber ter um equilíbrio entre o mundo real e o mundo “dentro do smartphone”. Eu, muitas vezes já me vi com um grupo de amigos em algum bar/enfim, e mais interessada em conversar ou no que estava acontecendo com gente que nem estava ali.
    Hoje em dia (embora eu não resista a tirar uma boa foto do pôr do sol) eu tento balancear as coisas, largando muito mais o celular e aproveitando quem está perto, ou o mundo real. Haha.

  2. Foi vc que escreveu esse texto? As partes sem aspas? Ficou muito bom! Concordo plenamente com tudo, e também tenho tentado me desconectar do ”mundo virtual” para me conectar com ”mundo real”. Temos deixado a vida passar, deixado de viver verdadeiros bons momentos para tentar tirar boas fotos e ganhar muitas curtidas. Mas ai eu me pergunto : será que nós estamos ”curtindo” a vida? Apreciando o momento? A paisagem? O PARECER se tornou mais importante que o SER.Estou tentando caminhar rumo a ”cura”, e creio que o seu texto vai incentivar muita gente. Beijão linda! Fica com Deus!

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